Entrei no curso, e agora? | I have my degree, now what?

Entrei no curso, e agora? | I have my degree, now what?

Ao contrário do que se possa pensar, são poucos os que chegam ao fim do secundário com uma ideia bem definida do que querem prosseguir no futuro. Ir para a faculdade? Fazer um gap year? Começar a trabalhar? São muitas as hipóteses e muitas as dúvidas que surgem em qualquer aluno prestes a terminar o ensino secundário. Hoje vamos falar-vos um pouco da nossa experiência e iremos dar-vos algumas dicas de como ultrapassar.

Unlike many of you may think, there are only a few students that get to the end of high school with a well established idea of what they want to do with their professional life. Go to college? Do a gap year? Start working? Lots of options that raise lots of questions in any high school student. So today we will talk a little bit of our own experience and give you some tips 😉

 

Para quem não sabe, somos as três licenciadas em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Somos de anos lectivos diferentes mas todas nós terminámos o curso no tempo dito “normal”. Depois da licenciatura cada uma de nós seguiu percursos diferentes, de alguma forma ligados à nossa formação base:

For those who don’t know, we have a bachelor degree in Biology from the Faculty of Sciences of Lisbon University. We are from different years, but we all managed to finish the degree in three years. After this degree we proceeded to different paths, even though they are all somehow related to ou first degree:

 

A. – Engenharia Alimentar

Aos 7 anos já dizia que queria ser Arquitecta e aos 12 tinha apenas mudado para Engenheira Civil. Por isso, desde pequena sabia que a minha vocação seria mais para as áreas das ciências e matemáticas. Depois no secundário, tive a sorte de apanhar um belíssimo professor de Biologia que instigou o bichinho que se andava a desenvolver por esta área, desde que tinha aprendido mais sobre hereditariedade e genes. Assim, decidi ir para Biologia, com um pouco de preocupação por parte dos pais porque dizia-se ser um curso com poucas saídas profissionais. Isso não me impediu, nem me assustou a perseguir o que queria, sempre fui muito “dona do meu caminho” e sempre acreditei que se mostrasse determinação, as coisas iriam resolver-se (optimista ou ingénua, ainda não sei bem). Entrei em Biologia determinada a perseguir Genética, até ao momento onde apanhei o “cadeirão” desta área. Apercebi-me rapidamente que aquilo não era de todo o que queria. Pela primeira vez senti-me um pouco perdida, contudo depois, tive cadeiras ligadas à Biotecnologia com associação a áreas de industria alimentar e cosmética, que eram mais praticas e aplicáveis, e pelas quais me acabei por apaixonar. E por isso decidi ir para o mestrado em Engenharia Alimentar, que apesar de ser uma área um pouco diferente, permitia-me tanto aproveitar a formação base da licenciatura como adquirir conhecimentos numa área que cada vez mais me despertava curiosidade. Hoje em dia estou a trabalhar numa empresa com grande peso não só no mercado português como no estrangeiro, no departamento que costumo referir como “o mais divertido da área alimentar”, o departamento de inovação e desenvolvimento! Acredito que muitos de vocês já provaram produtos da minha empresa 😛

At the age of 7, I was already saying I wanted to be an Architect and at 12, I change to Civil Engineer. Therefore, since I was little I knew my vocation would be more for science and mathematics fields. Later in high school, I was fortunate to have an excellent biology teacher who instigated the little curiosity that was developing in this area, since I had learned more about heredity and genes. So I decided to go to Biology, knowing my parents were a little bit concern with the few professional exits of this course. This did not stop me, nor did it frighten me to pursue what I wanted. I have always been very “owner of my path” and always believed that if you showed determination, things would solve themselves (optimistic or naive, I still don’t know very well). I went to Biology determined to pursue Genetics until the moment I had the biggest subject of this area in college. I soon realize that it wasn’t what I wanted it at all. For the first time I felt a little bit lost but then, I had subjects linked to Biotechnology associated with food and cosmetic industry areas, which were more practical and applicable, and for which I ended up falling in love. And so, I decided to take a Master’s in Food Engineering, which despite being a slightly different area, allowed me to both take advantage of the basic training of my degree and acquire knowledge in an area that increasingly aroused my curiosity. Nowadays I am working in a company with great reputation, not only in the Portuguese market but abroad, in the department that I refer to as “the most fun of the food engineering field”, the innovation and development department! I believe many of you have already tasted my company’s products: P

 

 

J. – Biologia da Conservação

Desde que me lembro que queria ser bióloga. Todo o mundo natural me fascinava e muitas vezes dava por mim a sonhar alto e a imaginar-me em todos aqueles programas da BBC que víamos quando éramos pequenos. Aos seis anos, e depois de uma visita ao zoo, fiquei ainda mais fascinada por répteis e nunca me imaginei a fazer outra coisa que não estudá-los, por isso, quando chegou a altura de me candidatar as dúvidas não eram muitas. Os meus pais tinham o mesmo medos que os da A. mas sempre me encorajaram a seguir o meu caminho. As dúvidas começaram mais ou menos no fim do primeiro ano e início do segundo. Nestes primeiros dois anos, o curso tem muita matemática, química e cadeiras base que não achava minimamente interessantes e pela primeira vez, duvidei se este era mesmo o curso para mim. Felizmente, no terceiro ano escolhi o ramo de Biologia Terrestre e não podia ter ficado mais feliz. Tive muitas cadeiras onde fomos para o campo explorar e rapidamente percebi que este era mesmo o caminho para mim. Isto fez com que me candidatasse ao mestrado de Biologia da Conservação. Não tem sido um percurso fácil, e trabalhar em campo com vida selvagem nada tem a ver com os programas da BBC ou da National Geographic, mas não me arrependo e é um percurso que me preenche completamente. Consegui fazer a tese com répteis e estagiar na Croácia, e hoje em dia, já não trabalho em Lisboa mas sim em Aveiro, como bolseira de investigação, com aquilo que sempre quis, trabalho de campo. No último ano, também desenvolvi uma nova paixão, o trabalho de laboratório, principalmente em genética. Os velhos sonhos continuam mas com eles surgiram novos sonhos e novas ambições, tudo ligado à vida selvagem!

Ever since I can remember, I wanted to be a biologist. Everything bout the natural world fascinated me and I often found myself daydreaming and imagining me in all those BBC wildlife shows we used to watch growing up. Bu the time I was six and after a visit to the zoo, I became fascinated with reptiles and never imagined myself doing anything else than to study them. So when the time to apply came, I had no doubts about what I wanted to do. My parents had the same fears A’s parents had but always encouraged me to follow my own path. The doubts started right about the end of the first year/start of the second year. In the first two years, the degree is filled with math, chemistry and a lot of base courses that I didn’t find interesting and for the first time, I doubted if this was the right degree for me. Fortunato, by the third year, I had chosen to branch in Terrestrial Biology, where I had a lot of courses that allowed us to explore the field and it made me realise this was exactly what I wanted to do. This made me apply to the Conservation Biology MSc. It hasn’t been easy and as it turns out, working with wildlife has little to do with those BBC or National Geographic shows but I don’t regret a single thing and it fulfils me completely. I managed to work with reptiles for my thesis, got an internship job in Croatia and today i work in Aveiro as a researcher doing what I always wanted, field work. In the last year, I discovered a new passion, lab work, specifically genetic. The old dreams carry on, but with them came new dreams and ambitions, all connected to wildlife!

 

 

P. – Comunicação de Ciência

Fui daquelas pessoas que no momento de “por a cruzinha” no curso a que me ia candidatar ainda estava na dúvida sobre o que queria. Só coloquei duas opções, mais por descargo de consciência do que por outra coisa qualquer: Biologia e Gestão. Nada a ver, certo? Biologia eu sabia que gostava, gestão eu achava que teria emprego garantido. Acabei por entrar em Biologia e não me arrependo. Não é um curso fácil, além das biologias todas e mais algumas, tem muita matemática, física e química à mistura. Ao mesmo tempo que fiz o curso, aproveitei para me envolver nas mais variadas actividades de voluntariado: fiz visitas guiadas em vários sítios, trabalhei na Associação dos Estudantes, na Feira do Livro de Lisboa, na Color Run… e foi nestas actividades que descobri um bichinho pela comunicação. Foi por isso que, depois de terminada a licenciatura, decidi fazer um Mestrado em Comunicação de Ciência. Era uma área recente em Portugal e permitia-me tanto aproveitar a minha formação base como explorar uma nova área. Com este mestrado consegui trabalhar com o Oceanário de Lisboa, publiquei um artigo no Jornal Público e estagiei no Gabinete de Comunicação e Imagem do ITQB NOVA, um instituto de investigação e formação avançada. Hoje em dia trabalho num outro gabinete de comunicação de outro instituto de investigação, tenho novas ambições para o meu percurso profissional e sei o que preciso de fazer para lá chegar. E sim, tudo ligado à área da comunicação 🙂

I was one of those students that at the very moment of choosing the degree, I was still not sure of my choice. I ended up apllying for Biology and Management, because I knew I liked biology but  I thought through management it was more likely to get a job in the future. I ended up getting into biology and I do not regret it. It is not an easy degree, because besides all kinds of biologies, it has a lot of mathematics, physics and chemistry as well. However, while doing my degree, I worked in the Students’ Association, at the Lisbon Book Fair, in Color Run, etc, which made me realise how much I enjoyed communication. That is why, after finishing my degree, I decided to do a MSc in Science Communication. It was a recent area in Portugal and allowed me to take advantage of my background to do something out of the box. With this master’s degree I was able to work with the Oceanário de Lisboa, I published an article in Jornal Público and did an internship (and worked) at the Science Communication Office of ITQB NOVA, an institute of research and advanced training. Nowadays, I work at another research institute’s communication office, I have new ambitions for my professional career and I know where I want do be and what I need to do to get there. And yes, everything related with communications.

 

 

Como podem ver, a escolha de uma licenciatura não quer necessariamente dizer que seja isso que vamos fazer para o resto das nossas vidas. Ao longo do nosso curso vamos conhecendo novas áreas que podem despertar em nós um interesse maior e diferente daquele que tínhamos pensado antes. Hoje em dia arranjar emprego é tanto uma questão de sorte como de talento. É estar no sítio certo à hora certa, e nem sempre aquilo que conseguimos primeiro vai ser aquilo em que sonhámos trabalhar. Há pessoas que nem tiram o curso e são super bem sucedidas! O segredo é não desistir de explorar, aprender e aproveitar as oportunidades que vão surgindo.

As you can see, the choice of a degree doesn’t exactly dictate what we’re going to do for the rest of our lives. We get to know new fields along the way that may spark a bigger interest in us and takes us somewhere different that we didn’t consider. In today’s world, getting stable employment is as much about talent as it is about luck. It’s being at the right place at the right time and often our first job isn’t what we always dreamed about. Some people don’t even have degrees and are super successful! The secret is don’t give up exploring, learning and take all the opportunities presented to you.

 

Beijinhos,

Kisses, 

 

Trio

 

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